Boas férias!

Os azuis são divertidos.
Devolveram os 4×1 do Gre-Nal da final do Gauchão e tentaram por A+B provar que “Gre-Nal de Brasileirão vale mais”.

Não amigos, não vale.

Pois vencer por 4×1 no Brasileirão lhes garantiu O MESMO que nós já tínhamos desde 13 de Abril, quando vencemos pelos MESMOS 4×1.

Uma VAGA NO GAUCHÃO.

E ainda ousaram elevar Alan Ruiz (o maior Argentino a vestir a camisa do Grêmio, depois do ídolo Maxi López) ao mesmo patamar de Andrés D’alessandro.

Só porque ele fez dois gols num Gre-Nal.
Como se fazer dois gols num único clássico fosse suficiente pra elevar alguém a algum lugar.
Se bem que, isso já havia sido feito com Junior Viçosa, portanto não é novidade…

Fazer HISTÓRIA num clube do tamanho de Inter e de Grêmio, camarada, é MUITO MAIS do que isso.

Tem que tomar MUITO Nescau ainda na vida.

Aliás, fica a dica:

+ Nescau
– Instagram

Boas férias.

@leleolele

Deboche e respeito: o caminho do meio

ruiz

Existe o politicamente correto e o politicamente babaca. Acredito que, no futebol, devemos fugir de ambos. O meio termo é o caminho.

O politicamente correto é o chorão que não aceita zoeira. Ele, via de regra, acha que essa corneta “é do jogo” quando vence, mas considera desrespeito quando perde. O capitão colorado bancou esse politicamente-mala no Gre-nal de ontem.

Eu poderia dizer que o Alan Ruiz só comemorou na frente do banco de reservas colorado porque sua família estava exatamente naquele ponto do estádio (Ruiz explicou isso). Poderia dizer também que só comemorou ali porque fez o gol ali: ou vocês queriam que ele atravessasse o campo mudo e cabisbaixo pra só abrir braços e sorriso quando chegasse na frente do banco do Grêmio? Mas, sinceramente, não vou me ater em nenhuma dessas plausíveis explicações. Acho que se o Alan Ruiz tivesse comemorado na frente dos colorados NÃO TERIA PROBLEMA ALGUM.

Futebol é isso. É corneta, é zoação, é tentar superar o outro. E, ao conseguir, debochar. Se acabarem com isso, acabem com o futebol. A bunda-molice está tomando conta do esporte. Um dos lances que guardo com mais carinho na minha memória é daquela “meia-bicicleta” do Paulo Nunes em pleno Beira-Rio. O diabo loiro marca um golaço épico e sai, na frente da torcida colorada, imitando o Saci. Hoje em dia isso daria cartão, suspensão, prisão perpétua. Que coisa chata. Estaria “incitando a violência”. Punam os idiotas que são incitados por uma brincadeira. Não punam o bem-humorado autor da galhofa. Futebol é entretenimento. É pra sorrir. É pra ser feliz.

Mas o D’Alessandro só quis tirar o foco. Só quis criar um fato novo pra goleada humilhante não ser o único assunto da semana. Ele é malandro, reconheço. D’Alessandro – autor do binóculo e de tantas outras declarações provocativas para com o Grêmio – sabe muito bem que provocar o rival é do jogo. Se fez de bobo e bancou o bunda-mole pra desviar o foco. Quero crer nisso. Ou o gringo foi de uma hipocrisia ímpar.

O politicamente correto que não aceita nada é um chato graças ao qual o futebol, aos poucos, vem perdendo um pouco da sua graça. Mas na outra extremidade dessa polêmica existe alguém pior: o politicamente babaca. O cara que falta com respeito. Aquela turminha que humilha o clube rival de uma forma exagerada. Perde as estribeiras. Por vezes, humilha até mesmo amigos, colegas ou parentes. Parte pra pessoa física. Discute a pessoa. Tem raiva no discurso. Esse cara é pior que o politicamente correto. É muito mais nocivo ao futebol. Nocivo inclusive às boas relações humanas e a um convívio social aprazível. É um tipo a ser evitado.

No meio desses dois extremos existe um oceano de zoeira e corneta sadia. Existe um universo de provocações, de binóculos, de Sacis, de um Alecsandro metralhando a torcida gremista e de um Danrlei mandando tchauzinho pra um furioso e revolto mar vermelho. Um Edmundo rebolando, um Kerlon foquinha, um vampeta fanfarrão… Daqui a pouco, dar CHAPÉU no adversário em pleno Clássico será passível de punição. “Desrespeitoso e incita a violência”. Olhar pra um lado e tocar a bola pro outro será proibido: “está tentando ludibriar o adversário”. Mas a solução pra isso também não é ofender a mãe de ninguém. Há um caminho do meio.

Ignoremos os chatos sem graça. Repudiemos os amargos raivosos. Trilhemos esse caminho do meio. A palavra chave é RESPEITO. Não faltando isso, tá tudo liberado. Tá liberado até fazer um acachapante 7×1 em pleno Gre-nal: que só não foi possível porque o árbitro politicamente correto dos infernos ficou constrangido com o fiasco rubro e sonegou 6 minutos de acréscimos. Estamos de olho.

Saudações azuis, pretas e brancas.

Só não vê quem não quer

17 de junho de 2001: Marcelinho Paraíba cruzava e descruzava os braços, com as palmas das mãos viradas pra baixo, num gesto universal de “acabou, acabou”. Fez isso logo após o terceiro gol gremista contra o Corinthians, diante de um Morumbi abarrotado de gente. O Grêmio sagrava-se Tetracampeão da Copa do Brasil.

De lá pra cá o Tricolor não sentiu mais o gostinho de um título importante. Esparsos Gauchões nesse período e nada mais. Alguns vices, algumas fagulhas de esperança… Mas nada de caneco.

13 anos de jejum. Nesse período, o adormecido rival resolveu desencantar e piorar nossa situação. O jejum ganhou ainda mais peso. A pressão aumentou. No meio da crise tudo é questionado. TUDO. E há quem aponte os mais variados e inusitados culpados pelos anos de insucessos do Tricolor:

– O Grêmio não ganha nada desde que existe a Geral do Grêmio. São tudo pé-frio. Tem que acabar com essa torcida!

– Só não vê quem não quer: desde que o PT assumiu o governo do país, em 2002, o Grêmio não conquista mais títulos. Fora, PT!

– Foi aquele Papa. Na gestão dele não ganhamos nada. Vamos ver se com o Francisco temos melhor sorte!

– Enquanto os gremistas seguirem falando em Mazembe, o Grêmio vai seguir sem ganhar nada!

– A grande verdade é que a zica se chama Banrisul. Desde que esse banco desgraçado começou a patrocinar a Dupla, eles ganharam tudo e nós nada!

As teorias não param por aí. Cada um com as suas. Alguns com várias.

Eu, particularmente, achava que o Grêmio vivia um triste jejum de títulos apenas porque passou por administrações ruins. Pouco planejamento, lapsos de coerência e ausência total de um Norte bem definido. Além de um pouco de azar também. Mas há quem diga que não ganhamos porque o clube tá devendo dinheiro para um macumbeiro. Fica a dúvida.

Olho para a Dupla Gre-nal hoje e vejo, infelizmente, um Inter melhor. Vejo um rival com D’Alessandro, Aranguiz e Alex abastecendo o Nilmar enquanto tenho o Ramiro de falso meia abastecendo… Abastecendo seu carro no posto e olhe lá. Achava que isso explicava um pouco os 2 anos sem vencer Gre-nais. Mas há quem diga que os “alentaços” nas vésperas dos Clássicos é que “zicam”.

Refleti bastante sobre minhas teorias, sobre minha ingenuidade de querer encontrar lógica num esporte regido pelo imponderável: resolvi estudar o caso. Imerso nessa investigação abalizada, me dei conta de que o jejum Tricolor está com os dias contados. Fiz uma pesquisa ampla. Analisei números, fatos relevantes, calculei, ponderei e… EUREKA! A resposta é: “World Trade Center”.

No dia 11 de setembro de 2001, enquanto o Grêmio gozava do posto de atual campeão do Brasil – e às vésperas de seu 98º aniversário – as torres gêmeas eram atacadas por terroristas em Nova Iorque. Depois desse atentado, nunca mais saímos campeões. Só não vê quem não quer: o Grêmio nunca conquistou um título relevante desde que as torres do WTC foram derrubadas.

Pensei em mandar carta ao clube sugerindo que erguêssemos duas torres ao lado do CT do Humaitá. Seria nossa salvação. Mas, para minha surpresa, me deparo agora com a notícia de que o novo World Trade Center acabou de ser inaugurado lá nos EUA. No mesmo local das antigas torres. O Grêmio está salvo.

O jogo virou. Acabou a desgraça tricolor. Venceremos o Clássico desse domingo. Algum jogador do Grêmio fará o sinal de “acabou, acabou”, indicando que o jejum de Gre-nais chegou ao fim. E dali pra frente, só vai. Um jejum atrás do outro será derrubado, tais quais as torres em 2001. Ano que vem é nosso. Coparemos. Só não vê quem não quer.

Saudações azuis, pretas e brancas.

@lucasvon | fb.com/olucasvon

Isso não é pra mim

Sou totalmente contrário a teoria do “não me arrependo de nada que eu fiz”.
Eu me arrependo, sim, de diversas atitudes e decisões tomadas na minha vida.
E não tenho nenhum problema em admitir que errei.

Um dessas decisões equivocadas que eu tomei, foi a de entrar pra política do clube de futebol do meu coração, o Internacional.

Quando, em 2008, fui convidado a fazer parte de uma chapa que concorria ao conselho, pensei “pô, eu me tornando conselheiro, poderei colaborar muito com o clube”.
Mal sabia eu onde eu estava me metendo…

Depois de 6 anos quase completos de Conselho, tenho plena certeza de afirmar que isso não é pra mim.

Política (a partidária) é algo muito complicado de se lidar em épocas de liberdade de expressão e redes sociais.
Tá aí a mais recente eleição que não deixou dúvidas de que o RESPEITO pela opinião contrária, sumiu junto com a credibilidade dos institutos de pesquisa.
Vale o mesmo pro futebol.
A raiva contida nos “debates internéticos” transformando cada vez mais adversários em INIMIGOS, é assustadora.
Junte os dois assuntos no mesmo “pacote” e temos o “combo” do absurdo.
Onde pessoas que torcem para O MESMO time, entram em conflito como se fossem verdadeiros adversários.
Ou, se preferirem, INIMIGOS mesmo.

Disputas pelo poder, carregadas de vaidade, acordos que ninguém explica e uniões que só servem “de vez em quando”.
Sério, isso não é pra mim.

Talvez, nesses seis anos, o episódio que mais “marcou minha paleta” foi o da eleição para Presidente de 2012, onde haviam três candidatos no primeiro turno, realizado dentro do Conselho Deliberativo e eu optei por votar em Giovanni Luigi, que acabou se elegendo diretamente neste primeiro turno, conforme o estatuto vigente na época permitia que somente passasse ao segundo turno da eleição o candidato que fizesse um mínimo de 87 votos no conselho.
Com a eleição se resolvendo no primeiro turno e, consequentemente, não indo “para o pátio”, eu e os outros 165 que votaram em Luigi foram marcados na paleta como “os 166 que impediram os sócios de votarem”.
Detalhe: o Conselho é formado por 350 Conselheiros. Numa matemática sem uso de calculadora, conclui-se que 166 não são maioria num universo de 350.
Mas é claro que no mundo da política clubística esse “pequeno” detalhe matemático foi, digamos, meio “esquecido” por muita gente, que preferiu colocar a culpa nos 166.
É da cultura do brasileiro.
Pra que eu vou assumir minha parcela de culpa se tenho quem pegar pra Cristo?
Pois é.
Neste universo dos “outros” 184, alguns não foram votar e dos votos válidos, o candidato Sandro Farias do grupo “Convergência Colorada” fez 64 votos e o candidato Luis Antonio Lopes do grupo “Diretas Sempre”, fez 80.
Ainda tivemos três votos em branco e um nulo.
Não precisa ser muito bom na mesma matemática pra saber que se houvesse uma união entre estes dois movimentos, eles ultrapassariam os 87 votos necessários para a eleição ir pro sócio.
Porém, não o fizeram.
E aqui deixo bem claro: isso não é uma crítica.
Não quiseram se unir e tiveram seus motivos pra isso.
Como eu disse ali em cima, algumas uniões só servem “de vez em quando”.
Exatamente como está servindo agora, dois anos depois, onde os MESMOS dois grupos políticos se uniram.
Insisto: isso não é uma crítica.
São fatos que eu estou relatando para justificar uma decisão que eu tomei e que eu concordo, ou não, com eles.
Mas eles não deixam de serem FATOS.
E quando eu falo dessas “uniões que só servem de vez em quando” não pensem que to me isentando não, pois o grupo político que eu faço parte também já fez isso.
Faz parte do jogo político e, assim como a eleição em primeiro turno do Presidente Luigi, está dentro das regras.

Agora vejam que engraçado: durante estes dois últimos anos, meu “selo 166” apareceu em diversas oportunidades.
Eu que sou um Colorado ativo nas redes sociais, acabo oferecendo uma “facilidade” maior ao contato com os torcedores.
Porém, em TODAS AS VEZES que eu tive o dedo apontado pra mim e li/ouvi “tu é um dos 166”, isso só aconteceu nos momentos RUINS que o time viveu nestes dois anos.
Inter eliminado da competição X = Lelê safado, tu é um dos 166 responsáveis por isso.
Inter vence Gre-Nal na Arena = nada.
Inter escapa do rebaixamento no ano passado = Lelê, safado, tu é um dos 166 responsáveis por isso.
Inter toca 4 no Grêmio na final do Gauchão = nada.
Inter tem problemas de atraso na obra do Beira Rio = Lelê, safado, tu é um dos 166 responsáveis por isso.
Inter reinaugura o Beira Rio numa cerimônia que muda o parâmetro de espetáculo no país = nada.
Nada que me surpreenda, pois esse é o comportamento padrão do usuário de rede social: pra falar bem de alguma coisa tem um ou dois.
Pra falar mal, tem fila.

Aliás, sobre a reinauguração do estádio, fiz parte de uma comissão formada exclusivamente pra cuidar do evento.
Dediquei mais de 120 horas em reuniões que viabilizassem pro Clube um evento grandioso e que gerasse o menor custo possível aos cofres.
Na época da concorrência dos espetáculos propostos, eu era funcionário da RBS, pois fazia parte do programa Bola nas Costas da Rádio Atlântida FM e tinha carteira assinada e “crachá da RBS”.
Uma das empresas que participaram da concorrência (e que veio a vencê-la) era a Engage, que é o braço de eventos do mesmo Grupo RBS.
Pronto, foi o que bastou pra pipocarem acusações a minha pessoa de que eu não poderia fazer parte desta comissão, pois seria um “voto viciado” no processo, pois logicamente eu votaria “com o meu crachá”.
Sabem de nada, inocentes…
Defendi até a decisão final outro projeto, de outra empresa, que não o da RBS.
E fui vencido pela maioria.
Os demais integrantes da comissão sabem disso.
Falei isso pessoalmente ao Édson Erdmann, o diretor do espetáculo vencedor, “Os Protagonistas”, pois nos tornamos grandes amigos durante a produção da festa..
Eu nem precisaria ter dito isso a ele, poderia ter ficado na minha e engolido no seco as acusações de ter votado “com crachá”.
Mas não gosto de deixar dúvidas com relação ao meu nome, principalmente no que diz respeito ao meu envolvimento com o Internacional, meu time do coração.
Depois que foi dada a vitória ao projeto da Engage, eu vesti a camisa deles, pois a partir daquele momento, a camisa deles passou a ser A CAMISA DO INTER.
Colaborei intensamente no que foi possível em todo processo de produção da festa e o fiz com muita alegria, pois justamente por causa do Inter que acabei criando esta excelente relação com o Édson e pude dar minha contribuição a maior e mais bem produzida festa que um estádio brasileiro já viu em sua história, queira você, ou não,

Como eu nunca consegui ser um jogador do Inter, me satisfaço em vestir a camisa do Inter, SEMPRE que o Inter precisar de mim.
Foi o que eu fiz, por exemplo, no domingo 08 de junho, quando fui convidado a subir ao altar da missa feita em homenagem ao Fernandão (que havia nos deixado tão tragicamente no dia anterior) para ler um texto que talvez tenha sido a leitura mais difícil da minha vida, onde eu me despedia publicamente do meu maior ídolo.
O maior de todos que vi vestir essa mesma camisa do Inter e que levantou a taça mais importante que um jogador de futebol pode levantar.
Será que nesse dia, alguém se lembrou de mim como “um dos 166”?
Pois é…

Chegamos ao fim de 2014.
Temos uma eleição pela frente.
E, fora o que relatei aqui, tenho diversos outros motivos que eu poderia citar, mas o texto já tá longo o suficiente.

Minha decisão é bem simples e prática: não vou me envolver mais com isso.
Não tenho nenhuma relação pessoal com nenhum dos três candidatos.
Apenas sei que todos tem suas virtudes e seus defeitos.
Assim como conheço muita gente boa nas três chapas.
E as três chapas já me procuraram.

Mas eu não vou me manifestar.
Não vou fazer campanha pra ninguém.
A única coisa que eu quero, é que o que vencer, faça o melhor para o Inter.
E que poderá contar comigo a qualquer hora, para que eu possa vestir esta camisa quando achar que eu possa ser útil.

Minha função como Colorado e figura pública neste momento, é defender o Inter no Grenalizando, um projeto que começou na internet e agora tem seu espaço semanal aos sábados, no SBT.
Ali eu faço o que todos os Colorados devem fazer. defendo o Inter contra seu maior rival.
Assim como nas minhas redes sociais.
Assim como eu protagonizei aquele vídeo “Desabafo de um Colorado” logo após o bi da América em 2010, eu quero é tocar flauta e debater com meus adversários e não com as pessoas que eu encontro no Lucas Bar, ou nas cadeiras e corredores do Beira Rio.

Pra mim chega de política clubística.
Quero apenas concluir meu mandato de conselheiro, que vai até 2016 e depois poder voltar a ser o que eu sempre fui antes de 2008: um torcedor.
Deixo pra quem sabe lidar com essas nuances do assunto.
Mas isso não é pra mim.

Que vença o melhor.
E se precisarem de mim, DEPOIS DA ELEIÇÃO, sabem onde e como me encontrar.

Leandro Bortholacci
Conselheiro do Sport Club Internacional
@leleolele

Nós, tu e os outros

Existem muitos Grêmios. O Grêmio que só nós, gremistas, conhecemos. O Grêmio que só tu conhece. O Grêmio que os outros enxergam de longe.

Para nós, o Dinho era muito melhor que o Falcão. Pra ti, bom mesmo era o Carlos Miguel, mas nunca esquecerá do dia em que encontrou o Cangaceiro dos Pampas no shopping e tirou várias fotos com ele. Pros outros, Dinho só sabia dar pau.

Pra nós, quando o time tá ganhando um bom carrinho vale mais que um belo drible. Pra ti, nada supera aquela lambreta do Fábio Baiano naquela Libertadores, bem na tua frente. Pros outros, carrinho é feio e a lambreta do Fábio Baia… Que lambreta?

Pra nós, um dos momentos mais lindos da nossa história foi quando o Grêmio PERDEU um título nacional em pleno Olímpico e o estádio inteiro cantou o Hino do clube ao término da partida. Pra ti, mais incrível ainda foi vestir o manto no dia seguinte, achando que tava ousando, e perceber que muita gente nas ruas teve a mesma ideia. Pros outros, foi apenas um dia triste que os gremistas fazem questão de esquecer.

Para nós, aquela Libertadores 2007 foi incrível. Momentos eternizados em nossas memórias. Torcida enlouquecida e em sinergia com o time. Pra ti, muitas histórias, tragos, matação de aula, churrascos e lágrimas naquela jornada. Para os outros, um vice-campeonato não vale nada.

Pra nós – que somos campeões mundiais – vencer um jogo fora de casa com 4 jogadores expulsos e 2 pênaltis contra foi a maior epopeia que o Planeta Terra já viu. Pra ti, custou uma cadeira nova e um mês de gesso na mão: depois do gol do Anderson, o soco no primeiro móvel que viu pela frente foi inevitável. Pros outros, era apenas uma Série B.

Pra nós, o Olímpico representa momentos incríveis de nossas vidas. Pra ti, pai recente que só agora começou a levar o filhote aos jogos, a Arena já começa a fazer mais sentido. Pros outros, ambos são apenas um amontoado de concreto.

Pra nós, a “imortalidade” lapidada por Lupicínio Rodrigues no Hino mais bonito do Brasil não significa ser invencível: significa não se entregar. Pra ti, essa imortalidade faz ainda mais sentido quando o Tricolor estufa as redes e te faz lembrar daquele ente querido, gremistaço, que já não está mais entre nós e que, lá do céu, canta conosco. Para os outros, é só um Hino. Só uma palavra.

Para nós, os últimos anos sem títulos foram repletos de emoções indescritíveis. Semanas Gre-nal. Semanas de Libertadores. Ansiedades, alegrias, golaços, esperanças renovadas. Fora das quatro linhas, amizades incríveis construídas graças ao Grêmio. Pra ti, viagens emocionantes seguindo o Tricolor. Inesquecíveis, ganhando ou perdendo. Para os outros, os últimos anos do clube não nos deram motivos para um pingo sequer de alegria.

Os outros que me perdoem, mas quem sabe de Grêmio somos nós, os gremistas. Não só da gloriosa história do clube, mas sobretudo do que vivemos e sentimos com o Grêmio e graças ao Grêmio. Só nós gremistas sabemos o que algumas coisas que giram em torno do Tricolor significam. Só tu, gremista, sabe como o Tricolor interfere e até mesmo molda tua vida.

Essa data não é só do Grêmio. É nossa. Dos 111 anos do clube, dos meus 29 de gremista, dos teu 63, dos 12 dela, dos 2 dele. Pois o Grêmio não é um, são vários. E é só nosso. Meu e teu. E de mais 8 milhões de pessoas que vivem de loucuras.

Parabéns a todos nós. Parabéns ao Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense.

@lucasvon.

Carta aberta a Geral do Grêmio

– de Lucas von Silveira, sócio gremista sem posição política.

 

Tempos ruins, amigos. Pra todo mundo. Pra todo gremista. Não é hora de identificar culpados pela derrocada da Geral do Grêmio. Não é hora de vestir a carapuça do coitadismo para reclamar direitos, relembrar episódios e justificar o injustificável. É hora de olhar pra dentro e, com humildade, começar do zero. Vocês têm força pra isso. Mas não do jeito que a coisa tava indo. Desse jeito vocês irão, com força e velocidade, para o abismo.

Vamos por partes.

OS MAIS ODIADOS

Sejam sempre a torcida mais odiada. Mas PELOS ADVERSÁRIOS. Sejam odiados por silenciar o Beira-Rio cantando mais alto que eles. Sejam odiados pelas festas invejáveis que faziam noutros tempos. Por tudo de BOM que puderem esfregar na cara dos outros. Não façam questão de ser odiados por tudo e todos – mídia, adversários, GREMISTAS, atual gestão, oposição, órgãos públicos, etc – pelos piores motivos possíveis. Incomodar não é sinônimo de ser “politicamente incorreto”. É possível incomodar fazendo muita coisa legal.

Vocês sempre tiveram defensores, por tudo de bom que já protagonizaram e até mesmo pela importância que tiveram no clube em alguns anos ruins. Pessoas que frequentam estádio sabem do que falo. Eu mesmo já os defendi muito. O próprio Nestor Hein tentou. Mas vocês, ultimamente em especial, têm conseguido CANSAR a todos. Até os maiores defensores estão pulando da barca. E não é pra menos! No Gre-nal, por exemplo, muitas vozes se juntaram a vocês para defendê-los no episódio “Escolta Olímpico x Escolta Barra Shopping”. Estavam repletos de razão. Aí entram no Beira-Rio, em pleno dia dos pais, com os filhos do Fernandão presentes no estádio, e cantam aquilo. COMO SEGUIR DEFENDENDO? Essa afronta não foi aos colorados, foi ao MUNDO.

Disso vocês não precisam. Não ganham NADA com isso. A Geral precisa de alicerces de apoio, nem que seja de parte da torcida gremista. Sozinha, não vai a lugar algum.

COITADISMO

Depois de “N” cagadas protagonizadas, sempre vêm as lamúrias. Esse comportamento não combina com uma torcida tão safa e pioneira. Não combina com a GRANDE Geral do Grêmio, que surpreendeu o Brasil em seus primeiros anos de loucuras nas arquibancadas do Olímpico. Por isso ninguém engole. É um “mimimi” incompatível com tamanha astúcia.

Sei que a Gestão Koff se omitiu muito em relação a vocês. Nem vou entrar no mérito de “subsídios” e afins. Esse furo é mais embaixo. Mas ao menos eles deviam ter considerado que vocês EXISTEM. Gostando ou não, é uma faceta do clube que precisa ser administrada, como todas as outras. Eles ignoraram. Sei bem. Também não concordo com essa política. A distância entre direção e qualquer núcleo da torcida nunca será benéfica ao clube. Mas vocês, em vez de se mostrarem MAIORES que os erros dessa direção, conseguiram ser piores. Perderam totalmente a razão. “Se eles estão errados, vamos ver aqui quem é que erra mais então”. Wrong way. Não é por aí. Era o momento de serem grandes e engolirem críticos e opositores. Talvez até CATIVÁ-LOS.

O foco tem que ser em reverter situações ruins, não piorá-las. RESOLVER problemas, não utilizá-los de escudo para criar mais problemas.

MACACADA

Vou tentar ser breve nesse assunto que é bem complexo. Mas é o seguinte: o termo MACACO será extinto da Arena. Não é palpite, é uma obviedade. O mundo de 1950 não é mais o mesmo de 2014. O que se fazia e dizia em determinada época, não cabe mais nos dias de hoje.

Não sei se será extinto esse ano ainda, ou daqui a 2 anos. Talvez daqui a 40 anos. Não sei. Suspeito que, com a velocidade do mundo atual, não vá demorar. O fato é que o termo sumirá da Arena. Assim como lamentavelmente a avalanche foi extinta, o também tradicional “macaco” do co-irmão vai morrer. Mesmo “inocente” e sem cunho racista. Mesmo sem essa INTENÇÃO racista, melhor dizendo, vai morrer igual. Se eles seguirão usando mascote Escurinho, problema é DELES. Na ARENA, vai morrer.

Vai morrer porque o mundo é outro. Resta saber se vocês, INTELIGENTEMENTE, aproveitarão essa oportunidade de ouro pra pegar carona nessa onda, ou se vão nadar contra maré se desgastando mais e mais. Acredito que, se insistirem nos cantos, aos poucos serão engolidos pelo resto do estádio. Serão engolidos pelo MUNDO. Um mundo que não tolera mais algumas coisas, independente da intenção. O episódio daquele Grêmio x Santos acelerou alguns processos que, mais cedo ou mais tarde, iriam desencadear.

Sou dos maiores críticos ao futebol-coxinha. Defendo comemorações provocativas, tirar camisa, bobinas, fumaças, bandeiras, papel picado, sinalizador. Acho ridículo muito do que fazem pra tentar “melhorar” o futebol e que, no fundo, só piora. Mas chamar alguém de MACACO não entra nesse balaio. Não estou sugerindo canções amigáveis para com o Internacional. Que siga a provocação, os deboches, etc. Só que o tempo em que falar “macaco” incomodava colorados já passou. Hoje incomoda MUITO MAIS GENTE. Os colorados talvez estejam até se divertindo com tudo isso. Devem estar torcendo para que continuemos insistindo no termo. Não ganhamos NADA com essa insistência. Só temos a perder.

Se a Geral decide abolir o termo, cresce muito. Cresce no conceito de todos. Cresce em VÁRIOS ASPECTOS. Humildade não é sinônimo de fraqueza. Dar um passo pra trás não é sinal de hesitação. Tudo isso são atributos de grandes vencedores. Grandes ESTRATEGISTAS. “Ah, mas nosso macaco não é racista”. No mundo inteiro é. Eis o problema. De madrugada todo mundo passa o sinal verde com cautela, diminuindo a velocidade, olhando bem pros lados. Vai que um louco se atravessa no vermelho e nos pega em cheio? É isso: às vezes é bom tirar o pé do acelerador, mesmo com razão, principalmente quando não temos total controle sobre as consequências.

Nosso macaco nunca visou ofender a alguém. Estamos sendo injustiçados por jornalistas irresponsáveis e mal informados que generalizaram um ato isolado e blá blá blá. Porém, vamos parar de usar. Decidimos fazê-lo para evitar futuros mal-entendidos para conosco e até mesmo prejuízos ao Grêmio”. Pronto. Seria histórico. Épico. E vocês seriam protagonistas dessa BELA história. O cavalo tá passando, encilhado e mansinho.

RECONSTRUÇÃO

Fiz esse texto por nutrir certa admiração pela Geral. Por, apesar dos pesares, ainda torcer pelo bem dela. Fiz o texto por querer o bem do GRÊMIO. E um setor norte pulsante sempre será ótimo para o Tricolor. Muito já frequentei a Geral e sei da paixão daqueles caras que pulam atrás do gol. Apesar dos erros que cometem, sei que há gremismo ali. Já fui a jogos fora da cidade, do Estado, do país. A Geral tá sempre lá, com subsídio ou sem. Com chuva ou sol. Ganhando ou perdendo. Ou melhor, apenas perdendo, pois o time não ajuda há tempos.

Já vi tudo de bom que essa torcida pode trazer ao Grêmio. Não só na cancha, mas até mesmo institucionalmente. Só que hoje ela tá jogando contra, dentro e fora de campo. E aí não adianta eu, futuros Presidentes do clube, imprensa, Papa Francisco ou quem quer que seja desejar o bem da Geral se ela mesma der de ombros pra isso. Se ela mesma, dia após dia, cavar sua cova. “A Geral tem que pensar mais no Grêmio”, é o que todos reclamam. Eu diria que tem que pensar mais nela também. Não vem pensando em ninguém. Não vem pensando, ponto. Vem agindo com uma rebeldia gratuita e burra. Destrutiva. Nociva ao clube e a ela própria.

Pense, Geral. Repense. Renove-se. Ressurja. Hora da reconstrução. Nos reconquiste. Se descontrole atrás do gol. Vamos ser outra vez nós dois.

 

Saudações azuis, pretas e brancas,

@lucasvon.

A Suástica e o Macaco – Em 5 ATOS

Já tentei abordar o tema sugerindo que a torcida gremista deixasse esses termos macaquísticos de lado e fui apedrejado por alguns. Chegamos a tirar o vídeo do ar (http://globoesporte.globo.com/rs/torcedor-gremio/platb/2014/03/10/pelo-fim-da-macacada/).

Curiosamente, agora me deparo com alguns desses apedrejadores criticando os cânticos da Geral no último jogo. Eu considerei coerente. Se eles não viam problema em seguir utilizando tais termos, por que num jogo no qual as atenções do país estavam mais voltadas para a Arena teria? Ou há problema, ou não há. A lupa da opinião pública sobre aquele jogo não é capaz de criar nada, só evidencia com mais clareza o que, com lupa ou sem, já existe.

Ah, mas podiam preservar o clube pro julgamento de quarta-feira”. Sim. Nosso vídeo sugeria que preservássemos para sempre. Ou daremos explicações e criaremos mal-entendidos ad eternum.

Num primeiro momento preferi não voltar ao assunto, mesmo com tudo que aconteceu recentemente. A experiência não foi das melhores. Porém, não resisti. Só que, dessa vez, não vai ter vídeo, nem texto com pedido ou sugestão pra ninguém. Apenas criei um cenário. Joguei dados reais em meio a fictícios. Inventei uma pequena história. E, em 5 atos, acho que resumi bem o que penso sobre parte dessa polêmica. As conclusões, cada um que tire as suas.

 

ATO 1 – O macaco permitido

Há quem diga que a origem do termo “macaco”, utilizado pela torcida do Grêmio para se referir aos rivais colorados, seja racista. Teria surgido pelo fato de o Inter ter aceito negros antes do Grêmio (informação que também gera controvérsias). Porém, fiquemos com as explicações mais brandas. Sejamos otimistas e ignoremos essa (grande) possibilidade. Aceitemos que nós gremistas só chamamos os colorados de macacos porque eles historicamente nos imitam, ou porque subiam em árvores para ver os jogos durante as obras dos Eucaliptos. Aceitemos até que o termo só é utilizado porque o próprio Inter adotou um macaquinho como mascote, ainda que o fato seja extremamente recente e os cantos bem antigos. Escolha a alternativa que melhor conforte sua alma e sigamos a leitura dessa trama.

HOJE, a imensa maioria dos gremistas não utiliza o termo com alguma intenção racista (quando proferido ao rival). Gremistas negros cantam essas músicas e colorados branquinhos como a neve são considerados macacos pela torcida tricolor. Se aceitarmos alguma daquelas explicações de origem não-racista do termo, a história fica perfeita e cristalina: a intenção hoje não é pejorativa, tampouco foi na origem. “Nosso macaco está 100% limpo. Por que diabos querem que a gente pare?

ATO 2 – O Shorinji Kempo

A suástica é extremamente antiga. Segundo a Wikipédia, “é um símbolo místico encontrado em muitas culturas em tempos diferentes, dos índios Hopi aos Astecas, dos Celtas aos Budistas, dos Gregos aos Hindus. Alguns autores acreditam que a suástica tem um valor especial por ser encontrada em muitas culturas sem contatos umas com as outras“.

É utilizada, inclusive, no mundo das artes marciais. Se fizermos uma busca, por exemplo, por Shorinji Kempo no “google imagens”, encontraremos diversas fotos de suásticas em quimonos e afins. E, ainda que o símbolo tenha ganho maior notoriedade global com o nazismo, o Kempo é apenas uma arte marcial japonesa que possui 0% de nazismo em sua essência.

ATO 3 – O fictício duelo Gre-nal

Imaginemos que o Sorinji Kempo não seja oriundo do Japão. Vamos criar uma historinha: o Kempo surgiu no Brasil, na época dos índios. É mais tradicional que a Capoeira nas terras canarinho.

Seguindo nessa trama imaginária, vamos supor que lá por 1903 dois caras decidiram criar um clube de futebol. Reuniram-se em um boteco de Porto Alegre e traçaram as primeiras linhas desse que viria a ser o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense. Lá pelas tantas surgiu uma questão: quem será o Presidente do clube justamente no importantíssimo período da fundação do mesmo? Os dois sujeitos queriam essa honra para si. Discutiram. Não chegaram a um acordo. Aos berros e exaltados, foram expulsos do boteco. Seguiram o acalorado debate na rua.

Eis que, em uma praça da cidade, com os nervos à flor da pele, os dois cidadãos chegam às vias de fato. Começam um duelo cuja consequência é bem clara: o vencedor assume a Presidência do clube que está nascendo. Como todo bom brasileiro, ambos são praticantes do Kempo, e é com as técnicas dessa arte marcial que o embate se desenrola. A multidão se aglomera para ver o maior duelo da cidade.

Temos um vencedor. Ele humilha seu adversário, que sai machucado e mancando. Que tunda, amigos. Desmoralização em praça pública. O vencedor cria o Grêmio. O derrotado sequer participa do processo. Os dois cortam relações. Mas o sonho do perdedor não morre ali: seis anos depois resolve criar seu próprio clube. Nascia então o Sport Club Internacional.

Anos depois os dois clubes cresceram, viraram potências do Estado e país, alcançaram as massas e contabilizaram um sem número de torcedores. Entre as provocações naturais de um para o outro, a torcida gremista ostentava suásticas em seus jogos. Ostentava, com orgulho, o símbolo da primeira vitória histórica do clube: a tunda que seu fundador deu no fundador do co-irmão em uma luta de Sorinji Kempo. Gremistas deram aos colorados o apelido de “mancos”, referindo-se ao estado crítico em que seu fundador saiu do embate. A corneta rolava solta. Suásticas pipocavam na torcida do Grêmio em todos os Gre-nais, a fim de provocar os rivais.

ATO 4 – O Nazismo e a menina

Agora vamos colocar pitadas de verdade nessa história: de 1933 a 1945 o Nazismo de Hitler governou a Alemanha. E fez tudo o que a gente sabe que fez. Inclusive, se apropriou da suástica.

Sigamos com a ficção: na década de 50, portanto, começou a pegar mal as suásticas ostentadas na torcida do Grêmio. Algumas pessoas já faziam inevitáveis ligações negativas ao outrora inofensivo símbolo. Mas gremistas estavam de consciência limpa e seguiam utilizando.

O mundo foi mudando. Ainda que as manifestações não tivessem intenções – e origem – nazistas, alguns gremistas começaram a se constranger de usar a suástica. Porém, a grande maioria ainda defendia a “inocência histórica do pobre símbolo”. Até que, em 2014, num amistoso do Grêmio contra a Seleção de Israel, uma menina é flagrada pela TV xingando o goleiro israelense de “judeu porco imundo”. Um ato isolado. Gremistas reprovaram a atitude da menina. Mídia mundial deu espaço para o episódio. Imagem do Grêmio foi incinerada.

Alguns jornalistas irresponsáveis começaram a generalizar. Talvez mal informados sobre a história da suástica tricolor, taxaram a torcida do Grêmio inteira de nazista. Destilaram ódio e vomitaram merda em seus teclados mundo afora. Tudo por um fato isolado que, infelizmente, ocorre em vários lugares do mundo.

Torcida do Grêmio ficou machucada. Abatida. Triste com todo esse bafafá. E aí, no jogo seguinte do clube, um grupo de torcedores – colocados atrás do mesmo gol em que a menina proferiu os insultos nazistas – ergue uma suástica gigantesca sobre a arquibancada e espalha bandeirinhas de suásticas por todo o setor. Tudo isso sob o olhar atento do mundo inteiro. Tudo pra tentar provar que a “nossa suástica” não tem problema algum.

ATO 5 – Ficção vs. Realidade

Acho o exemplo que inventei acima mais COMPLEXO que a realidade na qual estamos inseridos. Ainda que a suástica seja facilmente remetida ao nazismo, tinha uma história por trás. É um símbolo antigo e repleto de outros significados. Sem falar no “empolgante Duelo Gre-nal de Kempo”. Algo que jamais seria apagado da história. Um acontecimento eternamente celebrado pela nação tricolor. Mas mesmo com todos esses relevantes argumentos, acho que os gremistas da história imaginária podiam parar de usar o símbolo. Existem outros. O do próprio clube. Se vai machucar alguém (e certamente iria, até mesmo judeus gremistas), já não faz mais sentido seguir usando. Inclusive PARA EVITAR MAL ENTENDIDOS que sujem a imagem do clube. Se sumissem essas suásticas da Arena, talvez um próximo lamentável episódio semelhante ao da menina seria visto mais como “caso isolado” e menos como “da torcida do Grêmio”.

Se a torcida der menos motivos para alimentar interpretações erradas, talvez os jornalistas possam errar menos contra nós. Possam generalizar menos. Até os jornalistas irresponsáveis – que não medem as consequências de suas palavras e não se dão conta de que podem até mesmo incentivar agressões físicas contra gremistas Brasil afora – quem sabe podem preservar mais o clube. Mas isso só se o próprio torcedor der menos margem a esses equívocos.

E nesse ponto minha ficção se assemelha muito a realidade atual. Com a diferença de que o MACACO não significa nada pra nós. Nenhuma história gloriosa ou algo que o valha. E, ao contrário da suástica de tantos significados, a palavra “macaco” direcionada a uma pessoa tem o mesmo triste sentido no mundo inteiro. É algo muito mais recente e vazio. Algo que, sinceramente, só traz prejuízos ao clube.

Seja lá por qual motivo ou contexto histórico, o fato é que a torcida do Grêmio passou a chamar os colorados de macacos para irritá-los. Acho extremamente válido que rivais se provoquem e irritem uns aos outros. Mas o mundo mudou. A sociedade mudou. Nem tudo que se fazia em 1950 é possível que seja feito hoje. Que sigamos irritando os colorados cantando mais alto que eles em pleno Beira-Rio. Dizendo que eles torceram pro Grêmio em 2009. Debochando do D’Alessandro ou fazendo SEI LÁ EU O QUÊ. Mas hoje, 2014, chamá-los de macaco só irrita alguns negros, independente do time para o qual torçam. Só irrita OS PRÓPRIOS GREMISTAS (vide Grêmio 1 x 0 Bahia). Só prejudica nossa imagem.

Aquele colorado fanático e radical que deseja o PIOR para o Grêmio deve estar ADORANDO tudo que está acontecendo. E deve estar torcendo para que sigamos insistindo nessa “provocação”.

 

Saudações azuis, pretas e brancas,

@lucasvon.