Isso não é pra mim

Sou totalmente contrário a teoria do “não me arrependo de nada que eu fiz”.
Eu me arrependo, sim, de diversas atitudes e decisões tomadas na minha vida.
E não tenho nenhum problema em admitir que errei.

Um dessas decisões equivocadas que eu tomei, foi a de entrar pra política do clube de futebol do meu coração, o Internacional.

Quando, em 2008, fui convidado a fazer parte de uma chapa que concorria ao conselho, pensei “pô, eu me tornando conselheiro, poderei colaborar muito com o clube”.
Mal sabia eu onde eu estava me metendo…

Depois de 6 anos quase completos de Conselho, tenho plena certeza de afirmar que isso não é pra mim.

Política (a partidária) é algo muito complicado de se lidar em épocas de liberdade de expressão e redes sociais.
Tá aí a mais recente eleição que não deixou dúvidas de que o RESPEITO pela opinião contrária, sumiu junto com a credibilidade dos institutos de pesquisa.
Vale o mesmo pro futebol.
A raiva contida nos “debates internéticos” transformando cada vez mais adversários em INIMIGOS, é assustadora.
Junte os dois assuntos no mesmo “pacote” e temos o “combo” do absurdo.
Onde pessoas que torcem para O MESMO time, entram em conflito como se fossem verdadeiros adversários.
Ou, se preferirem, INIMIGOS mesmo.

Disputas pelo poder, carregadas de vaidade, acordos que ninguém explica e uniões que só servem “de vez em quando”.
Sério, isso não é pra mim.

Talvez, nesses seis anos, o episódio que mais “marcou minha paleta” foi o da eleição para Presidente de 2012, onde haviam três candidatos no primeiro turno, realizado dentro do Conselho Deliberativo e eu optei por votar em Giovanni Luigi, que acabou se elegendo diretamente neste primeiro turno, conforme o estatuto vigente na época permitia que somente passasse ao segundo turno da eleição o candidato que fizesse um mínimo de 87 votos no conselho.
Com a eleição se resolvendo no primeiro turno e, consequentemente, não indo “para o pátio”, eu e os outros 165 que votaram em Luigi foram marcados na paleta como “os 166 que impediram os sócios de votarem”.
Detalhe: o Conselho é formado por 350 Conselheiros. Numa matemática sem uso de calculadora, conclui-se que 166 não são maioria num universo de 350.
Mas é claro que no mundo da política clubística esse “pequeno” detalhe matemático foi, digamos, meio “esquecido” por muita gente, que preferiu colocar a culpa nos 166.
É da cultura do brasileiro.
Pra que eu vou assumir minha parcela de culpa se tenho quem pegar pra Cristo?
Pois é.
Neste universo dos “outros” 184, alguns não foram votar e dos votos válidos, o candidato Sandro Farias do grupo “Convergência Colorada” fez 64 votos e o candidato Luis Antonio Lopes do grupo “Diretas Sempre”, fez 80.
Ainda tivemos três votos em branco e um nulo.
Não precisa ser muito bom na mesma matemática pra saber que se houvesse uma união entre estes dois movimentos, eles ultrapassariam os 87 votos necessários para a eleição ir pro sócio.
Porém, não o fizeram.
E aqui deixo bem claro: isso não é uma crítica.
Não quiseram se unir e tiveram seus motivos pra isso.
Como eu disse ali em cima, algumas uniões só servem “de vez em quando”.
Exatamente como está servindo agora, dois anos depois, onde os MESMOS dois grupos políticos se uniram.
Insisto: isso não é uma crítica.
São fatos que eu estou relatando para justificar uma decisão que eu tomei e que eu concordo, ou não, com eles.
Mas eles não deixam de serem FATOS.
E quando eu falo dessas “uniões que só servem de vez em quando” não pensem que to me isentando não, pois o grupo político que eu faço parte também já fez isso.
Faz parte do jogo político e, assim como a eleição em primeiro turno do Presidente Luigi, está dentro das regras.

Agora vejam que engraçado: durante estes dois últimos anos, meu “selo 166” apareceu em diversas oportunidades.
Eu que sou um Colorado ativo nas redes sociais, acabo oferecendo uma “facilidade” maior ao contato com os torcedores.
Porém, em TODAS AS VEZES que eu tive o dedo apontado pra mim e li/ouvi “tu é um dos 166”, isso só aconteceu nos momentos RUINS que o time viveu nestes dois anos.
Inter eliminado da competição X = Lelê safado, tu é um dos 166 responsáveis por isso.
Inter vence Gre-Nal na Arena = nada.
Inter escapa do rebaixamento no ano passado = Lelê, safado, tu é um dos 166 responsáveis por isso.
Inter toca 4 no Grêmio na final do Gauchão = nada.
Inter tem problemas de atraso na obra do Beira Rio = Lelê, safado, tu é um dos 166 responsáveis por isso.
Inter reinaugura o Beira Rio numa cerimônia que muda o parâmetro de espetáculo no país = nada.
Nada que me surpreenda, pois esse é o comportamento padrão do usuário de rede social: pra falar bem de alguma coisa tem um ou dois.
Pra falar mal, tem fila.

Aliás, sobre a reinauguração do estádio, fiz parte de uma comissão formada exclusivamente pra cuidar do evento.
Dediquei mais de 120 horas em reuniões que viabilizassem pro Clube um evento grandioso e que gerasse o menor custo possível aos cofres.
Na época da concorrência dos espetáculos propostos, eu era funcionário da RBS, pois fazia parte do programa Bola nas Costas da Rádio Atlântida FM e tinha carteira assinada e “crachá da RBS”.
Uma das empresas que participaram da concorrência (e que veio a vencê-la) era a Engage, que é o braço de eventos do mesmo Grupo RBS.
Pronto, foi o que bastou pra pipocarem acusações a minha pessoa de que eu não poderia fazer parte desta comissão, pois seria um “voto viciado” no processo, pois logicamente eu votaria “com o meu crachá”.
Sabem de nada, inocentes…
Defendi até a decisão final outro projeto, de outra empresa, que não o da RBS.
E fui vencido pela maioria.
Os demais integrantes da comissão sabem disso.
Falei isso pessoalmente ao Édson Erdmann, o diretor do espetáculo vencedor, “Os Protagonistas”, pois nos tornamos grandes amigos durante a produção da festa..
Eu nem precisaria ter dito isso a ele, poderia ter ficado na minha e engolido no seco as acusações de ter votado “com crachá”.
Mas não gosto de deixar dúvidas com relação ao meu nome, principalmente no que diz respeito ao meu envolvimento com o Internacional, meu time do coração.
Depois que foi dada a vitória ao projeto da Engage, eu vesti a camisa deles, pois a partir daquele momento, a camisa deles passou a ser A CAMISA DO INTER.
Colaborei intensamente no que foi possível em todo processo de produção da festa e o fiz com muita alegria, pois justamente por causa do Inter que acabei criando esta excelente relação com o Édson e pude dar minha contribuição a maior e mais bem produzida festa que um estádio brasileiro já viu em sua história, queira você, ou não,

Como eu nunca consegui ser um jogador do Inter, me satisfaço em vestir a camisa do Inter, SEMPRE que o Inter precisar de mim.
Foi o que eu fiz, por exemplo, no domingo 08 de junho, quando fui convidado a subir ao altar da missa feita em homenagem ao Fernandão (que havia nos deixado tão tragicamente no dia anterior) para ler um texto que talvez tenha sido a leitura mais difícil da minha vida, onde eu me despedia publicamente do meu maior ídolo.
O maior de todos que vi vestir essa mesma camisa do Inter e que levantou a taça mais importante que um jogador de futebol pode levantar.
Será que nesse dia, alguém se lembrou de mim como “um dos 166”?
Pois é…

Chegamos ao fim de 2014.
Temos uma eleição pela frente.
E, fora o que relatei aqui, tenho diversos outros motivos que eu poderia citar, mas o texto já tá longo o suficiente.

Minha decisão é bem simples e prática: não vou me envolver mais com isso.
Não tenho nenhuma relação pessoal com nenhum dos três candidatos.
Apenas sei que todos tem suas virtudes e seus defeitos.
Assim como conheço muita gente boa nas três chapas.
E as três chapas já me procuraram.

Mas eu não vou me manifestar.
Não vou fazer campanha pra ninguém.
A única coisa que eu quero, é que o que vencer, faça o melhor para o Inter.
E que poderá contar comigo a qualquer hora, para que eu possa vestir esta camisa quando achar que eu possa ser útil.

Minha função como Colorado e figura pública neste momento, é defender o Inter no Grenalizando, um projeto que começou na internet e agora tem seu espaço semanal aos sábados, no SBT.
Ali eu faço o que todos os Colorados devem fazer. defendo o Inter contra seu maior rival.
Assim como nas minhas redes sociais.
Assim como eu protagonizei aquele vídeo “Desabafo de um Colorado” logo após o bi da América em 2010, eu quero é tocar flauta e debater com meus adversários e não com as pessoas que eu encontro no Lucas Bar, ou nas cadeiras e corredores do Beira Rio.

Pra mim chega de política clubística.
Quero apenas concluir meu mandato de conselheiro, que vai até 2016 e depois poder voltar a ser o que eu sempre fui antes de 2008: um torcedor.
Deixo pra quem sabe lidar com essas nuances do assunto.
Mas isso não é pra mim.

Que vença o melhor.
E se precisarem de mim, DEPOIS DA ELEIÇÃO, sabem onde e como me encontrar.

Leandro Bortholacci
Conselheiro do Sport Club Internacional
@leleolele

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Um Comentário

  1. EDSON ERDMANN

    O Lelê esta correto em tudo que disse! Mas acrescento uma coisa fundamental, que isenta ele ainda mais: E empresa que criou este evento todo não foi a Engage/RBS, foi a HISTÓRIAS INCRÍVEIS ENTRETENIMENTO. Não sou funcionário da RBS. Esta empresa procurou a Engage para formar uma parceria para o projeto FESTA GIGANTE, com 8 Eventos, um deles o espetáculo. Lelê, realmente relatou a verdade, e nunca escondeu de ninguém que gostaria da outra proposta. Não votou com o crachá, e nem o faria, se conheço bem ele. Logo que foi escolhido o projeto vencedor: HISTÓRIAS INCRÍVEIS ENTRETENIMENTO E ENGAGE EVENTOS, ele não titubeou nem um dia, e colaborou artisticamente comigo, durante todo o projeto. E foi de suma importância suas observações e bom gosto. Tenho isso registrado inúmeras vezes. Portanto, de público, agradeço a este Colorado com C maiúsculo. O amor ao seu time o fez um parceiro ímpar. Espero ter a honra de contar sempre com este cara. Obrigado e parabéns pela atitude honesta e sincera.
    Edson Erdmann, diretor artístico da FESTA GIGANTE e criador do espetáculo OS PROTAGONISTAS.

    Que venham novos desafios!

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