Só não vê quem não quer

17 de junho de 2001: Marcelinho Paraíba cruzava e descruzava os braços, com as palmas das mãos viradas pra baixo, num gesto universal de “acabou, acabou”. Fez isso logo após o terceiro gol gremista contra o Corinthians, diante de um Morumbi abarrotado de gente. O Grêmio sagrava-se Tetracampeão da Copa do Brasil.

De lá pra cá o Tricolor não sentiu mais o gostinho de um título importante. Esparsos Gauchões nesse período e nada mais. Alguns vices, algumas fagulhas de esperança… Mas nada de caneco.

13 anos de jejum. Nesse período, o adormecido rival resolveu desencantar e piorar nossa situação. O jejum ganhou ainda mais peso. A pressão aumentou. No meio da crise tudo é questionado. TUDO. E há quem aponte os mais variados e inusitados culpados pelos anos de insucessos do Tricolor:

– O Grêmio não ganha nada desde que existe a Geral do Grêmio. São tudo pé-frio. Tem que acabar com essa torcida!

– Só não vê quem não quer: desde que o PT assumiu o governo do país, em 2002, o Grêmio não conquista mais títulos. Fora, PT!

– Foi aquele Papa. Na gestão dele não ganhamos nada. Vamos ver se com o Francisco temos melhor sorte!

– Enquanto os gremistas seguirem falando em Mazembe, o Grêmio vai seguir sem ganhar nada!

– A grande verdade é que a zica se chama Banrisul. Desde que esse banco desgraçado começou a patrocinar a Dupla, eles ganharam tudo e nós nada!

As teorias não param por aí. Cada um com as suas. Alguns com várias.

Eu, particularmente, achava que o Grêmio vivia um triste jejum de títulos apenas porque passou por administrações ruins. Pouco planejamento, lapsos de coerência e ausência total de um Norte bem definido. Além de um pouco de azar também. Mas há quem diga que não ganhamos porque o clube tá devendo dinheiro para um macumbeiro. Fica a dúvida.

Olho para a Dupla Gre-nal hoje e vejo, infelizmente, um Inter melhor. Vejo um rival com D’Alessandro, Aranguiz e Alex abastecendo o Nilmar enquanto tenho o Ramiro de falso meia abastecendo… Abastecendo seu carro no posto e olhe lá. Achava que isso explicava um pouco os 2 anos sem vencer Gre-nais. Mas há quem diga que os “alentaços” nas vésperas dos Clássicos é que “zicam”.

Refleti bastante sobre minhas teorias, sobre minha ingenuidade de querer encontrar lógica num esporte regido pelo imponderável: resolvi estudar o caso. Imerso nessa investigação abalizada, me dei conta de que o jejum Tricolor está com os dias contados. Fiz uma pesquisa ampla. Analisei números, fatos relevantes, calculei, ponderei e… EUREKA! A resposta é: “World Trade Center”.

No dia 11 de setembro de 2001, enquanto o Grêmio gozava do posto de atual campeão do Brasil – e às vésperas de seu 98º aniversário – as torres gêmeas eram atacadas por terroristas em Nova Iorque. Depois desse atentado, nunca mais saímos campeões. Só não vê quem não quer: o Grêmio nunca conquistou um título relevante desde que as torres do WTC foram derrubadas.

Pensei em mandar carta ao clube sugerindo que erguêssemos duas torres ao lado do CT do Humaitá. Seria nossa salvação. Mas, para minha surpresa, me deparo agora com a notícia de que o novo World Trade Center acabou de ser inaugurado lá nos EUA. No mesmo local das antigas torres. O Grêmio está salvo.

O jogo virou. Acabou a desgraça tricolor. Venceremos o Clássico desse domingo. Algum jogador do Grêmio fará o sinal de “acabou, acabou”, indicando que o jejum de Gre-nais chegou ao fim. E dali pra frente, só vai. Um jejum atrás do outro será derrubado, tais quais as torres em 2001. Ano que vem é nosso. Coparemos. Só não vê quem não quer.

Saudações azuis, pretas e brancas.

@lucasvon | fb.com/olucasvon

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