Marcado: Inter

Boas férias!

Os azuis são divertidos.
Devolveram os 4×1 do Gre-Nal da final do Gauchão e tentaram por A+B provar que “Gre-Nal de Brasileirão vale mais”.

Não amigos, não vale.

Pois vencer por 4×1 no Brasileirão lhes garantiu O MESMO que nós já tínhamos desde 13 de Abril, quando vencemos pelos MESMOS 4×1.

Uma VAGA NO GAUCHÃO.

E ainda ousaram elevar Alan Ruiz (o maior Argentino a vestir a camisa do Grêmio, depois do ídolo Maxi López) ao mesmo patamar de Andrés D’alessandro.

Só porque ele fez dois gols num Gre-Nal.
Como se fazer dois gols num único clássico fosse suficiente pra elevar alguém a algum lugar.
Se bem que, isso já havia sido feito com Junior Viçosa, portanto não é novidade…

Fazer HISTÓRIA num clube do tamanho de Inter e de Grêmio, camarada, é MUITO MAIS do que isso.

Tem que tomar MUITO Nescau ainda na vida.

Aliás, fica a dica:

+ Nescau
– Instagram

Boas férias.

@leleolele

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Caça ou caçador

Certa feita o Grêmio perdeu um Gre-nal na década de 90. No Olímpico. Duplamente raro. Foi em 1997, um atípico 5×2. Eu tinha 12 anos.
 
Até a adolescência, perguntava tudo pro meu pai. Assíduos nos jogos do Tricolor desde meus 5 ou 6 anos de idade, protagonizávamos diálogos interessantes. Interessantes pra mim, claro. Pra ele devia ser um saco. “Pai, por que tem ambulância? Onde os quero-queros dormem? O carro-maca usa gasolina? Por que o juíz tá rindo? Não dá pra ver o jogo de graça lá do cemitério?” E por aí vai. Mas voltemos ao fatídico Gre-nal.
 
Quase chegando em casa presenciamos um pequeno debate entre dois vizinhos. Um deles, colorado, gritou algo provocativo pela janela. O outro, sem pestanejar, respondeu: “tem o dia da caça e o do caçador“. Entendi na hora. O Grêmio – Bicampeão da América, Campeão do Mundo, ATUAL Campeão Brasileiro E da Copa do Brasil, que não parava de empilhar títulos anualmente, que vencia Gauchão com os reservas e etcétera – era o caçador. O Inter, eterno coadjuvante, nossa presa. Uma presa fácil que, porém, eventualmente tinha lá seus dias. Não perguntei nada ao pai. A analogia do gremista da janela era clara, óbvia, boa. Usei no colégio, inclusive.
 
Perder Gre-nal não é problema. Isso é do jogo, acontece. Em qualquer fase do time, acontece. O problema é a jaguatirica manhosa que o Grêmio virou. Um gatinho. Dá lá suas arranhadinhas, mas via de regra precisa fugir dos verdadeiros caçadores. Hoje somos caça. Se um gremista diz depois do Clássico desse último domingo que “tem o dia da caça e o do caçador”, provavelmente um menino de 12 anos não entenderia o sentido da frase. Hoje não faria sentido. Mesmo sem tomar 5, estamos falando de outro Grêmio. Um Grêmio bem pior.
 
Enquanto vocês falarem do Mazembe, não ganharão nada“. Balela. Argumento mais estapafúrdio do mundo FIFA. Se o Grêmio ganhar 4 Libertadores nos próximos 5 anos, vou pra Goethe comemorar o Hexa imitando o Kidiaba. Rirei para sempre disso. Essa parte da corneta é sadia, sobretudo vindo da torcida. O problema é quando pensamos no Inter quando não deveríamos e/ou quando não temos envergadura moral – ou cacife – para fazê-lo. Quando nossa torcida entoa um canto infeliz e lembramos que colorados levaram cintos de segurança pro estádio ironizando a morte do Dener. Ou lembramos que 5 colorados espancaram um menino gremista de 15 anos. E aí ficamos tentando competir pra ver de quem é a cagada maior.
 
Esqueçam o Inter! ESSA grenalização é burra. Foquemos nos nossos erros, seja da torcida, da direção, do time. Se o Werley falhar de novo, a solução não é tentar achar um zagueiro do Inter pior que ele. A bronca é só e tão somente conosco.
 
Não me interessa se as reuniões do Conselho do Inter são boas ou ruins. Se tem barraco ou não. O fato é que a nossa última teve entrevero e quórum ridículo. Quero saber os porquês disso e, principalmente, entender como solucionar essas questões. Foda-se o Inter. Nosso problema é o Grêmio. Se tentarmos maquiar nossas falhas – do clube como um todo – procurando falhas maiores no Inter, não sairemos do lugar. Nos igualaremos ao co-irmão da década de 90, que fazia camisa do Ajax – o clube, não a torcida – sem nunca ter sequer pisado no Japão. O Inter era a legítima caça. Só virou o jogo quando olhou mais pra dentro e menos pra fora.
 
Direção, torcida e time do Inter fazem, dizem, cantam e protagonizam muita merda errada. Não tenho dúvidas. Não são perfeitos. Se vasculharmos, tem muita porcaria pra ser exposta aos holofotes. Mas, sinceramente, não me interessa. O foco do Grêmio tem que voltar a ser o Grêmio.
 
Precisamos parar de ser a hiena serelepe que faz festa quando foge do abate e debocha das que não tiveram a mesma sorte. Hora de reencontrarmos nossa espingarda. Mudarmos de patamar. Hora de dar uns tiros. Organizar o clube. Pensar pra frente. Limpar os erros crassos. E aí, com calma e planejamento, calibrar a mira e comprar um cachorro perdigueiro. Mas, de largada, já me basta dar uns tiros a esmo. Já me basta reencontrar um Grêmio caçador. Com postura de caçador. Um Grêmio orgulhoso, de peito inflado, confiante; porém austero e com grandeza suficiente para se permitir à auto-crítica.
 
Nem que nessa retomada alguns tiros saiam tortos. Nem que a gente ainda perca um Gre-nal ou outro. Faz parte, é do jogo. O que não faz parte é ver meu Grêmio sendo a caça. Preocupado com o que os jornalistas dirão. Preocupado com os erros do rival.
 
Olha pra dentro, Grêmio. Ri do Mazembe, pra sempre. Mas ri com tua espingarda na mão. Mascando um capim e dando tiro em todo coelhinho que pular – feito um Kidiaba – na tua frente. Ri do Mazembe, mas não usa ele de escudo pra ficar no sofá relembrando o passado. Usa como aprendizado pra quando chegar lá.
 
E só vai chegar lá se, tal qual um caçador, adentrar essa Floresta chamada América e matar todas as presas que aparecerem no teu caminho, uma a uma. E só vai conseguir tal feito se tiver agilidade, talento, boa mira e um pouco de sorte. Mas tudo isso só ajuda se tu, Grêmio, voltar a ser um caçador. Agilidade, talento, boa mira e um pouco de sorte pra uma presa, só vão ajudar a conquistar esparsas e acidentais vitórias inúteis em um Gre-nalzinho aqui e acolá.
 
 
Saudações azuis, pretas e brancas,
@lucasvon

Semana Gre-nal

Dois amigos se encontram durante a famosa “Semana Gre-nal” e dão início a um curioso bate-papo:

COLORADO: E aí, tchê! Tudo bem contigo? E esse Gre-nalzinho domingo, hein? Ai, ai, ai!

GREMISTA: Fala, meu querido. Tudo tranquilo. Pois é, nem me fala. Vai ser complicado pra nós. Mas vamo que vamo, Grêmio é Grêmio.

COLORADO: Claro, Gre-nal sempre é complicado pros dois. Quem perder pode entrar em crise. Também tô nervoso. Em compensação, se o Inter ganha, ninguém nos segura nesse Brasileiro!

GREMISTA: Sim, complicado pros dois, mas dessa vez a coisa tá muito pior pra nós. Vocês são muito favoritos. Seja o que Deus quiser.

COLORADO: Ah, cara! Para com esse papinho de favorito. Clássico não tem favorito!

GREMISTA: Como não? Inter tá bem melhor! Time mais organizado, momento melhor, joga em casa…

COLORADO: E o Grêmio? Super motivado com o Felipão. Isso não conta? Sem falar que o véio Scolari é gênio. Vai saber os atalhos pra chegar incomodando no Gre-nal.

GREMISTA: Ah, tá. E o Abelão é bem fraquinho mesmo. Só deu um Mundial pra vocês contra o Barcelona. Pobre Abel, sabe nada de futebol. Técnico por técnico vocês também tão muito bem servidos.

COLORADO: Tá, mas olha o time do Grêmio no papel! O que melhor se reforçou na parada da Copa. Elenco cheio de opções!

GREMISTA: Sim, cheio de opções e vem de duas derrotas seguidas. O Colorado tá vindo de três vitórias. Não tem comparação!

COLORADO: Cara, o Grêmio adora isso! Sempre foi copero e chato. Sempre incomodou quando desacreditado. Esse cenário é tudo que o Tricolor queria. Perfeito pra vocês!

GREMISTA: Não viaja. Esse tempo já foi. Inter dos últimos anos não deixa uma oportunidade dessas escapar. Inter reaprendeu a ser competitivo. Amassou gigantes, faturou vários canecos, tá sempre no topo. Favoritismo é todo de vocês, não tem discussão.

COLORADO: Cara, a merda do Inter perdeu pro Mazembe! Vai tomar no teu cu! Tu acha que um time que perde praquele timeco do Congo “não deixa escapar oportunidades”? Ah, faça-me o favor!

GREMISTA: Tá, e o “Grêmio copero que quando tá por baixo cresce” foi rebaixado DUAS vezes! Tava por baixo e se enterrou ainda mais! É esse o Gremião que vai pro Beira-Rio tentar dar a volta por cima? Nossa, me empolguei agora, só que não.

COLORADO: PORRA, SEU IDIOTA! O GRÊMIO É GIGANTE! CAMPEÃO DO MUNDO!

GREMISTA: O INTER TAMBÉM, SEU ANIMAL BURRO!

 

Clássico é Clássico e vice-versa” (JARDEL, Mário).

@lucasvon

Ídolos precisam ser exemplares

Prematura e inesperadamente ele nos deixou. Um colorado apaixonado, de apenas 36 anos. Cheio de vida pela frente. Poucos sabem, mas eventualmente aparecia em Porto Alegre e me ligava para jantarmos. Batíamos altos papos: quase sempre descontraídos, quase sempre sobre futebol. Era um cara que eu admirava muito.

Além de colorado, tinha uma paixão ainda mais antiga: o time da sua cidade natal. Uma paixão verde e branca, por um clube que o acolheu como jogador e cidadão. Um cidadão diferenciado, diga-se. Participativo. Onde pudesse ajudar, lá estava ele arregaçando as mangas, seja dentro ou fora de campo. E, via de regra, ele sempre podia. Além de tudo, era um líder. Tinha o dom da oratória.

Foi com ele que aprendi algumas das lições de vida que levo até hoje comigo. Com ele amadureci muito no que diz respeito ao próprio futebol. No que diz respeito sobretudo à rivalidade Gre-nal. Eu, gremista roxo, nunca vi nele um inimigo. Sempre um rival, nada mais. Deixei de lado aquele “ódio juvenil” que outrora tomava conta de mim e passei a respeitar mais o co-irmão. Secando como sempre, me irritando a cada trunfo, delirando a cada fracasso: mas de forma civilizada. Sabendo deixar sentimentos destrutivos de lado. Sabendo me divertir mais com o futebol. Sabendo criar mais amigos nesse meio – sejam gremistas ou colorados – e menos inimigos.

Estou falando do meu tio, Leonardo, irmão caçula do meu pai. Morto em 2007 por um tiro de bandido, num assalto a banco em Bom Jesus – pequena cidade do nordeste gaúcho. Um colorado que também amava o Juventude de Bom Jesus, clube amador da cidade. Um colorado fanático que não deixava de sofrer com seu time, não deixava de cornetear meu Grêmio, mas que, acima de tudo, lidava com o futebol de forma inteligente. Com grandeza. Sem ódio. Apenas com amor e humor. Debochando de extremismos. Tio Léo sempre agregava pessoas a ele, jamais segregava. No futebol não seria diferente.

E foi nessa convivência que aprendi o valor do respeito. Com um colorado que não tinha vergonha ou pudor de criticar seu Inter e elogiar pessoas ou coisas ligadas ao Grêmio. Aprendi que, por maiores que sejam os clubes, nada pode ser maior que nosso relacionamento com as pessoas que nos cercam. Até porque eles – os clubes – são feitos por pessoas. Não cabe a nós pisar nessa gente toda por causa de duas ou três cores. Alfinetada com humor, claro que sim! Acho até sadio. Mas destruição gratuita com ódio, não, obrigado.

E não serei hipócrita a ponto de dizer que fiquei feliz pelos amigos e parentes colorados quando o Inter conquistou os títulos de 2006. Odiei. Fiquei intragável. Até hoje quero enfiar um dedo com cuspe no ouvido do Rogério Ceni pra ele deixar de ser trouxa e aprender a segurar bolas fáceis em finais de Libertadores. Mas confesso que, logo depois da tragédia de 2007 na Serra Gaúcha, um lado meu pensou, de mansinho: que bom que o tio viu aquelas conquistas do Inter antes de nos deixar.

E viu tudo aquilo graças, talvez principalmente, ao Fernandão. Um jogador que dividiu águas no Internacional. E do qual sempre falei bem para amigos colorados. Talvez o maior ídolo do clube, pelo menos na minha visão distanciada. Mas um cara que, acima de tudo, tinha essa inteligência do meu tio para lidar com o futebol. Também sabia ser passional, gritava, se emocionava, se entregava. Mas era agregador. Respeitoso para com o rival. Exemplar em vários aspectos.

E é isso que os ídolos precisam ser: exemplares. Corretos, honestos, inteligentes e de caráter ilibado; para que sirvam de modelo aos jovens. Assim como meu tio serviu para mim.

Obrigado, Fernandão. Obrigado por alegrar o coração do Tio Léo pouco antes de sua partida – mesmo que tenha sido daquele jeito que até hoje me incomoda. E obrigado por, durante 36 anos, semear esse exemplo de correção e boa índole por onde passou. O mundo precisa de futebol, de alegria, de Copa, de bola na rede e de tudo isso que tanto nos diverte e encanta. Precisa de tudo isso que tu fizeste muito bem enquanto atuava nos gramados desse mundo. Mas talvez precise ainda mais de exemplos. De ídolos exemplares, assim como tu.

Vai com Deus. Que, todos sabem, é gremista, mas vai te receber muito bem.

 

Saudações azuis, pretas e brancas,
Lucas von.

Atitude pra salvar o ano

Não tava a fim de escrever sobre esse patético Gre-nal de ontem. Mas aí saí rapidamente na rua hoje e vi 2 gremistas vestindo o manto. Resolvi escrever.

Muita gente vai lembrar daquele Barcelona dos últimos anos e encher o peito pra dizer: “futebol hoje em dia não exige mais força, gana, carrinho. Tem que saber jogar“. De fato, era um time que jogava fácil (ou ainda é). Messi nunca proferiu impropérios ao zagueiro adversário. Iniesta esbanja classe, jamais truculência. O técnico? Seja quem for, sustenta a imagem de um senhor alinhado e de semblante sereno. Nunca foi necessário um tiozinho de abrigo esbravejando na casamata catalã.

Mas aquele Barcelona é um ponto fora da curva. Elenco ímpar, jogadores únicos e fora de série. Estilo próprio de jogar que vem da base, entrosamento incrível, enfim, muitas peculiaridades que transformaram aquele time numa máquina. Os times “normais” precisam de um algo mais. Precisam jogar com o coração. Sujar o calção. Intimidar o menino inexperiente do adversário. Catimbar. Pressionar o árbitro. Ocupar espaços. Não admitir bolas perdidas. Em suma: precisam fazer MAIS do que apenas jogar futebol. É o diferencial de quem não tem um Messi em campo. E, diga-se: mesmo com Messi, se rolasse mais DESCONTROLE em alguns momentos, poderiam ir mais longe. Superando, por exemplo, o sanguíneo Atlético de Madrid, que é um bom time, mas se destacou sobretudo pelo coração.

Um time de futebol normal – que não sobra tecnicamente – precisa ser um pouco marginal. Precisa de rebeldia, indignação, inconformismo. Precisa agir com o coração. Claro que talento e qualidade são indispensáveis. O Dinho, aquele de 95, tinha muita qualidade. Mas nem por isso abria mão da virilidade. Isso o tornava diferenciado, acima da média. O tornou ÍDOLO.

Lembro que em 2010 critiquei a apatia do Grêmio e me referi ao TRIPÉ que estava por trás dela: Duda Kroeff, Meira, Silas. Votei no Duda, me parece ser uma boa pessoa. Porém, lhe falta descontrole. Lhe falta sangue quente nas veias. Meira, idem com fritas. Silas, nem se fala. Quando tu não tem UMA base sólida nesse tripé, a apatia fatalmente entra no gramado. A não ser que tu tenhas em campo jogadores genuinamente sanguíneos. Um D’Alessandro, por exemplo. Ou vários. Caso contrário, as partes envolvidas vão esperar motivação e iniciativa umas das outras. E aí ficam naquele “deixa que eu deixo”. E aí mais um ano acaba de forma melancólica.

Nosso tripé de hoje seria Koff, Rui Costa e Enderson. O primeiro, um mito. Pelo menos no passado: no presente tenho minhas dúvidas. Parece cansado, física e mentalmente. É hora de ver se ainda terá fôlego pra transformar esse limão numa limonada. Confio nele, mas não tenho essa certeza. Ao seu lado, o jovem e competente Rui. Um grande profissional. Porém, polido, cabelo lambido, bem vestido, medindo palavras. Longe do marginal que buscamos. Enderson? Putz. Enderson. O garoto propaganda do posto Ipiranga foi a decepção do Clássico.

Nosso técnico conseguiu tomar DOIS nós táticos do ABEL BRAGA, em 180 minutos. Enderson foi mal nos 4 tempos da decisão (pelo menos nos 3 últimos, indiscutivelmente). Escalou mal, mexeu mal, não conseguiu desatar os nós armados pelo Abelão – que é bom técnico, porém muito mais um paizão motivador do que um mestre da prancheta. E tudo isso com a mão no bolso. Assistindo apaticamente ao fiasco. Me parece um bom técnico, sabe montar um time. Deve ser querido e respeitado pelos atletas. Mas não chuta a porta nem da casinha do cachorro dele. Declarou que “não foi fiasco”. O QUE SERIA ENTÃO, PORRA!??? Não sabe sair de situações encrespadas. Quando o caldo engrossa ele sucumbe. Preocupante.

Em campo? Ah, cara… Um time competitivo, querendo sim mostrar trabalho. Não tem corpo mole ali. Mas nosso capitão é o Barcos, que joga de calça jeans e não empolga nem a mãe dele. Werley dando passe pro gol do D’Alessandro (o mesmo Werley que ano passado fez gol contra o líder do campeonato, num jogão na Arena, e não comemorou, pois tava chateadinho com a direção sei lá por quê. Aí tu já sente o espírito desse cidadão). Pará, esforçado sim, mas limitado. Perdeu gol feito no primeiro minuto de jogo: seria outra partida. E aí soma aqui, acrescenta lá… Deu no que deu. O Edinho talvez seja dos poucos do CLUBE INTEIRO com o espírito que precisamos. Não só dos que entram em campo, mas incluindo direção e comissão técnica. Aí o Enderson tira o Edinho: tomamos 3 gols em menos de 10 minutos. Depois de tomar o segundo, o time acusou o golpe. Sentiu que o título tinha escoado pelo ralo. Ficaram tontos – COISA QUE MARGINAL NÃO FICA – e tomaram mais dois na sequência.

Kleber tava jogando NADA antes de se lesionar. Eu queria ele em campo ontem. Não aceitaria esse vexame. Saimon é um menino com suas limitações e afobações, porém também estaria à flor da pele em campo. Não deixaria o Inter adentrar nossa área o tempo inteiro, como quem estivesse passeando no bosque. Até na lateral direita o Saimon me servia ontem. O Grêmio precisa desse descontrole. Time de cordeirinho não vai longe. A Libertadores é um matagal fechado e traiçoeiro. E ovelha não é pra mato.

Não quero que o Koff seja quem nunca foi e perca a elegância, tampouco que tome ritalinas para recuperar a energia da sua juventude. Também não quero que o Rui raspe o cabelo e comece a dar entrevistas fanfarronas. Muito menos que o Enderson passe a vociferar na casamata “pra inglês ver”. Quero que essa indignação seja genuína. Que os discursos internos sejam pesados. Que, em campo, assimilem o espírito. Que o Edinho não saia do time. Que os jogadores não paguem imposto pra dar carrinho. Que alguém enfie o dedo na cara de alguém – seja do adversário, seja do próprio colega. Que o Riveros comece a gritar com o Ramiro. Que o Rhodolfo assuma a liderança da zaga. Que o Barcos acorde pra vida. Que o Grêmio, com todo respeito, mande o Papa tomar no cu nessas oitavas de final. Não gostou da heresia? Foda-se, aqui é Grêmio. Esse é o espírito, doa a quem doer.

A torcida gremista tem essa rebeldia na sua essência. Ela toma 4 gols num Gre-nal vexatório e sai de casa com a camisa tricolor. Ela é petulante, irônica, marginal, orgulhosa. Ela afronta os rivais até quando está por baixo. E isso, tenho certeza, INCOMODA. Rivais se incomodam ao ver que o Imortal nunca morre. Rivais se incomodam ao ver um time esfacelado no domingo com o nariz empinado na segunda-feira. Mas tá na hora de o time acompanhar a torcida. Quero um Grêmio que incomode em campo. Um Grêmio que não se entregue. Que não tome 6 gols numa Final. Um Grêmio inconformado, indignado, ORGULHOSO. Com brios. Um Grêmio que até perca eventualmente, pois é do jogo, times melhores e/ou com dias mais felizes cruzarão nosso caminho. Mas que as derrotas nos orgulhem, nos arranquem aplausos. Esse é o caminho para as vitórias. Tenho certeza disso. Um Grêmio que incomode, um Grêmio que perca nos orgulhando. Esse é o Grêmio que pode voltar a erguer canecos.

 

Saudações azuis, pretas e brancas.

Lucas von.

Confissões de um irmão

Carta aberta de um gremista ao aniversariante Sport Club Internacional.

 

A gente vive se engalfinhando. Vive debochando, criticando, tentando descobrir pontos fracos um do outro para gritá-los aos quatro ventos. Agimos como se o ódio imperasse em nossa relação, mas confesso: no fundo é amor.

Finjo que te desdenho, mas confesso: vivo falando ou pensando em ti. Faço até campanha para que minha torcida cante menos músicas que te mencionem e foquem mais naquelas que falam só de nós mesmos. Mas, no fundo, quase sempre que meu time voa em campo penso matreiramente em ti. Um pensamento sarcástico que diz mais ou menos assim: “CHUPA!” Tu faz parte até dos meus sucessos.

Confesso que nos teus fracassos retumbantes eu perco a linha. Grito, danço sozinho em casa, xingo o vizinho pela janela. E vamos parar por aqui pra eu não ser preso. Tu me incomoda, meu irmão. Nossa competitividade pauta minha vida. Não suporto te ver gigante, imponente, vitorioso. Isso me machuca de uma forma que eu nem gostaria de confessar. Mas o dia é teu, aqui estou, o fazendo.

“Os opostos se atraem”. E é por isso que a gente se hostiliza tanto: somos iguaizinhos. Sei que tudo que estou confessando tem uma recíproca verdadeira. Tuas reações e pensamentos em relação a mim são os mesmos. Só muda o endereço. E as cores. E o número de torcedores e… Ops. Força do hábito.

E, olha que ironia: eu que sou o Imortal, confesso que quero te ver na mesma condição. Quero um Inter eterno. Que esse 105° aniversário seja apenas o começo. Apesar das nossas alfinetadas, tenho certeza que ninguém mais do que eu sofreria com a tua ausência. Não me invente de fechar as portas. Seja imortal. O Grêmio não seria o mesmo sem ti. Não teríamos tanto medo de perder sem tua corneta. Não teríamos tanta ânsia de vencer sem a meta de te igualar ou superar em algum quesito. Fique aí. Não me incomode muito, mas fique aí.

Desejo tudo de pior pra ti, meu irmão. Mas ainda assim, és meu irmão. Amo tua companhia. Amo aquele Inter que perde pro Mazembe. Amo nossas “Semanas Gre-Nal”. Amo o próprio Gre-Nal (só alguns, pra dizer a verdade). Amo muita coisa diretamente ligada a ti. Amo tua existência; choraria sem ela. O que sobra é a rivalidade: nada parecido com o ódio.

Por isso, hoje deixei esse papo de “coirmão” de lado. Nossa relação é de irmãos mesmo. Irmãos pequenos, pois seremos eternamente crianças. O futebol é muito alucinante e mágico para um adulto entender e gostar. Todos somos crianças nessa bagunça. Seremos para sempre aqueles irmãozinhos que no fundo querem o bem um do outro, mas que na prática lutam incansavelmente para superar aquele chato do quarto ao lado.

Parabéns, Inter. Siga tua senda de fracassos, meu irmão. Mas siga aí, firme, forte e – só entre nós – gigante.

 

Saudações azuis, pretas e brancas,

Lucas von.

INTER NÃO CAI

Só não torci para o Inter ganhar do Corinthians no sábado porque tenho uma grande dificuldade de torcer pelos vermelhos. Mas algo dentro de mim torceu, de canto, para que os outros jogos da rodada livrassem o co-irmão desse risco de rebaixamento.

“COMO ASSIM LUCAS VON SEU RETARDADO MENTAL?!!! TU NÃO QUER QUE O INTER CAIA???” Óbvio que desejo muito ver isso um dia. Mas sejamos realistas: não será em 2013. Isso é óbvio há tempos. Inter sempre esteve pelo meio da tabela. Só uma tragédia maior que o Mazembaço acarretaria na queda dos ribeirinhos esse ano.

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