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Carta aberta a Geral do Grêmio

– de Lucas von Silveira, sócio gremista sem posição política.

 

Tempos ruins, amigos. Pra todo mundo. Pra todo gremista. Não é hora de identificar culpados pela derrocada da Geral do Grêmio. Não é hora de vestir a carapuça do coitadismo para reclamar direitos, relembrar episódios e justificar o injustificável. É hora de olhar pra dentro e, com humildade, começar do zero. Vocês têm força pra isso. Mas não do jeito que a coisa tava indo. Desse jeito vocês irão, com força e velocidade, para o abismo.

Vamos por partes.

OS MAIS ODIADOS

Sejam sempre a torcida mais odiada. Mas PELOS ADVERSÁRIOS. Sejam odiados por silenciar o Beira-Rio cantando mais alto que eles. Sejam odiados pelas festas invejáveis que faziam noutros tempos. Por tudo de BOM que puderem esfregar na cara dos outros. Não façam questão de ser odiados por tudo e todos – mídia, adversários, GREMISTAS, atual gestão, oposição, órgãos públicos, etc – pelos piores motivos possíveis. Incomodar não é sinônimo de ser “politicamente incorreto”. É possível incomodar fazendo muita coisa legal.

Vocês sempre tiveram defensores, por tudo de bom que já protagonizaram e até mesmo pela importância que tiveram no clube em alguns anos ruins. Pessoas que frequentam estádio sabem do que falo. Eu mesmo já os defendi muito. O próprio Nestor Hein tentou. Mas vocês, ultimamente em especial, têm conseguido CANSAR a todos. Até os maiores defensores estão pulando da barca. E não é pra menos! No Gre-nal, por exemplo, muitas vozes se juntaram a vocês para defendê-los no episódio “Escolta Olímpico x Escolta Barra Shopping”. Estavam repletos de razão. Aí entram no Beira-Rio, em pleno dia dos pais, com os filhos do Fernandão presentes no estádio, e cantam aquilo. COMO SEGUIR DEFENDENDO? Essa afronta não foi aos colorados, foi ao MUNDO.

Disso vocês não precisam. Não ganham NADA com isso. A Geral precisa de alicerces de apoio, nem que seja de parte da torcida gremista. Sozinha, não vai a lugar algum.

COITADISMO

Depois de “N” cagadas protagonizadas, sempre vêm as lamúrias. Esse comportamento não combina com uma torcida tão safa e pioneira. Não combina com a GRANDE Geral do Grêmio, que surpreendeu o Brasil em seus primeiros anos de loucuras nas arquibancadas do Olímpico. Por isso ninguém engole. É um “mimimi” incompatível com tamanha astúcia.

Sei que a Gestão Koff se omitiu muito em relação a vocês. Nem vou entrar no mérito de “subsídios” e afins. Esse furo é mais embaixo. Mas ao menos eles deviam ter considerado que vocês EXISTEM. Gostando ou não, é uma faceta do clube que precisa ser administrada, como todas as outras. Eles ignoraram. Sei bem. Também não concordo com essa política. A distância entre direção e qualquer núcleo da torcida nunca será benéfica ao clube. Mas vocês, em vez de se mostrarem MAIORES que os erros dessa direção, conseguiram ser piores. Perderam totalmente a razão. “Se eles estão errados, vamos ver aqui quem é que erra mais então”. Wrong way. Não é por aí. Era o momento de serem grandes e engolirem críticos e opositores. Talvez até CATIVÁ-LOS.

O foco tem que ser em reverter situações ruins, não piorá-las. RESOLVER problemas, não utilizá-los de escudo para criar mais problemas.

MACACADA

Vou tentar ser breve nesse assunto que é bem complexo. Mas é o seguinte: o termo MACACO será extinto da Arena. Não é palpite, é uma obviedade. O mundo de 1950 não é mais o mesmo de 2014. O que se fazia e dizia em determinada época, não cabe mais nos dias de hoje.

Não sei se será extinto esse ano ainda, ou daqui a 2 anos. Talvez daqui a 40 anos. Não sei. Suspeito que, com a velocidade do mundo atual, não vá demorar. O fato é que o termo sumirá da Arena. Assim como lamentavelmente a avalanche foi extinta, o também tradicional “macaco” do co-irmão vai morrer. Mesmo “inocente” e sem cunho racista. Mesmo sem essa INTENÇÃO racista, melhor dizendo, vai morrer igual. Se eles seguirão usando mascote Escurinho, problema é DELES. Na ARENA, vai morrer.

Vai morrer porque o mundo é outro. Resta saber se vocês, INTELIGENTEMENTE, aproveitarão essa oportunidade de ouro pra pegar carona nessa onda, ou se vão nadar contra maré se desgastando mais e mais. Acredito que, se insistirem nos cantos, aos poucos serão engolidos pelo resto do estádio. Serão engolidos pelo MUNDO. Um mundo que não tolera mais algumas coisas, independente da intenção. O episódio daquele Grêmio x Santos acelerou alguns processos que, mais cedo ou mais tarde, iriam desencadear.

Sou dos maiores críticos ao futebol-coxinha. Defendo comemorações provocativas, tirar camisa, bobinas, fumaças, bandeiras, papel picado, sinalizador. Acho ridículo muito do que fazem pra tentar “melhorar” o futebol e que, no fundo, só piora. Mas chamar alguém de MACACO não entra nesse balaio. Não estou sugerindo canções amigáveis para com o Internacional. Que siga a provocação, os deboches, etc. Só que o tempo em que falar “macaco” incomodava colorados já passou. Hoje incomoda MUITO MAIS GENTE. Os colorados talvez estejam até se divertindo com tudo isso. Devem estar torcendo para que continuemos insistindo no termo. Não ganhamos NADA com essa insistência. Só temos a perder.

Se a Geral decide abolir o termo, cresce muito. Cresce no conceito de todos. Cresce em VÁRIOS ASPECTOS. Humildade não é sinônimo de fraqueza. Dar um passo pra trás não é sinal de hesitação. Tudo isso são atributos de grandes vencedores. Grandes ESTRATEGISTAS. “Ah, mas nosso macaco não é racista”. No mundo inteiro é. Eis o problema. De madrugada todo mundo passa o sinal verde com cautela, diminuindo a velocidade, olhando bem pros lados. Vai que um louco se atravessa no vermelho e nos pega em cheio? É isso: às vezes é bom tirar o pé do acelerador, mesmo com razão, principalmente quando não temos total controle sobre as consequências.

Nosso macaco nunca visou ofender a alguém. Estamos sendo injustiçados por jornalistas irresponsáveis e mal informados que generalizaram um ato isolado e blá blá blá. Porém, vamos parar de usar. Decidimos fazê-lo para evitar futuros mal-entendidos para conosco e até mesmo prejuízos ao Grêmio”. Pronto. Seria histórico. Épico. E vocês seriam protagonistas dessa BELA história. O cavalo tá passando, encilhado e mansinho.

RECONSTRUÇÃO

Fiz esse texto por nutrir certa admiração pela Geral. Por, apesar dos pesares, ainda torcer pelo bem dela. Fiz o texto por querer o bem do GRÊMIO. E um setor norte pulsante sempre será ótimo para o Tricolor. Muito já frequentei a Geral e sei da paixão daqueles caras que pulam atrás do gol. Apesar dos erros que cometem, sei que há gremismo ali. Já fui a jogos fora da cidade, do Estado, do país. A Geral tá sempre lá, com subsídio ou sem. Com chuva ou sol. Ganhando ou perdendo. Ou melhor, apenas perdendo, pois o time não ajuda há tempos.

Já vi tudo de bom que essa torcida pode trazer ao Grêmio. Não só na cancha, mas até mesmo institucionalmente. Só que hoje ela tá jogando contra, dentro e fora de campo. E aí não adianta eu, futuros Presidentes do clube, imprensa, Papa Francisco ou quem quer que seja desejar o bem da Geral se ela mesma der de ombros pra isso. Se ela mesma, dia após dia, cavar sua cova. “A Geral tem que pensar mais no Grêmio”, é o que todos reclamam. Eu diria que tem que pensar mais nela também. Não vem pensando em ninguém. Não vem pensando, ponto. Vem agindo com uma rebeldia gratuita e burra. Destrutiva. Nociva ao clube e a ela própria.

Pense, Geral. Repense. Renove-se. Ressurja. Hora da reconstrução. Nos reconquiste. Se descontrole atrás do gol. Vamos ser outra vez nós dois.

 

Saudações azuis, pretas e brancas,

@lucasvon.

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